Com batida dançante e referências ao clipe de ‘Imaturo’, a música é o primeiro lançamento do próximo disco do cantor

Pode deixar a sofrência um pouco de lado, porque agora o Jão quer se jogar “nesse amor bandido,” como diz na letra de “Coringa”, nova música do artista. Sumido das redes sociais desde o início do ano, o cantor surpreendeu os fãs com o lançamento na última quarta, 24.

A canção marca o início de uma nova era. O último álbum de estúdio, Anti-Herói, foi lançado em 2019, seguido por uma rotina intensa de shows pelo Brasil. Por isso, desde o início da quarentena, Jão dedicou um tempo para respirar. Era o período de relaxar e focar nas próprios sentimentos e experiências para depois colocar tudo no papel.

Mesmo assim, o processo criativo não parou. Para o cantor, construir um álbum é um processo constante, iniciado no momento da finalização do último disco. E se o Anti-Herói representa uma fase sensível, marcada por letras profundas e corações partidos, a nova era pode ser definida como um período libertador.

“Meus trabalhos são fotografias muito legais da minha vida e esse é mais um. É um álbum libertário, então a liberdade percorre bastante nas letras desse novo disco,” disse em entrevista para à Rolling Stone Brasil.

Novo estilo
O disco ainda não está pronto, mas “Coringa” pode ser um pequeno spoiler. Com versos descontraídos, Jão se diverte com um amor diferente das composições anteriores. É intenso na medida certa, mas sem abrir mão da liberdade, como diz em “Uma parte de mim tem medo e outra parte quer ficar / Eu sou pro que der e vier / E se for pra ser, seja o que Deus quiser.”

A melodia também inova na batida, com um estilo próximo ao pop do começo dos anos 2000 – um dos períodos favoritos do cantor. Apesar da ideia inicial seguir uma linha puxada para algo mais latino, Jão encontrou na música uma forma de trazer para 2021 a nostalgia do início do século.

Uma nova forma de contar histórias
Mesmo com ritmo dançante, como em trabalhos anteriores, o cantor pretende mesclar diferentes estilos e letras no próximo disco. “Gosto de contar histórias. Dentro das minhas histórias vão existir os momentos dançantes – e existem bastante deles agora – e vão existir os momentos quando tudo tá uma bost*. Se me comprometo tanto a cantar sobre mim, sobre minhas verdades, não tem porque cantar só uma parte delas, sabe? Gosto de ter essa nuance para contar a história completa,” explicou.

Esse estilo de narrativa é a principal característica dos trabalhos de Jão. Desde Anti-Herói, as músicas se conectam de alguma forma e dessa vez não será diferente. Mesmo se as canções não seguirem uma narrativa linear, ainda fazem parte do mesmo “universo Jão,” como brinca o cantor.

Mesmo sem o disco pronto, Jão está animado com a produção. “Comecei a visualizá-lo, é um feto, é algo, já o entendo. Não sei como vai ser quando nascer, mas eu consigo vê-lo na barriga,” explicou. Dessa vez, o cantor pretende produzir mais de 10 músicas, diferente de Lobos (2018) e Anti-Herói (2019).

Parte visual
Não há como negar o fato do clipe de “Coringa” ser uma continuação de “Imaturo”, lançado em 2018. Dessa vez, o trio de criminosos – agora em liberdade – planeja um novo assalto em um evento de gala, com a missão de roubar uma joia. O videoclipe marca uma fase mais madura, na qual os personagens têm a liberdade de explorar novos temas e deixar a parte juvenil um pouco mais de lado.

Para Jão, completar a história de quase três anos atrás com uma produção digna de um filme hollywoodiano é praticamente a realização de um sonho de infância. “Sempre gostei quando as pessoas continuavam as narrativas porque é muito legal analisar como ‘Imaturo’ existiu naquela época com aquela sonoridade, aquela ideia e como ‘Coringa’ existiu hoje sendo uma continuação.”

Vídeos interligados também serão uma característica do disco novo. Jão vem trabalhando na parte visual e pretende explorá-la mais, em comparação os últimos discos, para dar o devido espaço a cada uma de suas canções. “Estou bem dedicado a esse novo projeto para as músicas terem seu próprio lugar de existência, sua própria chance de brilhar como todas as outras faixas do álbum,” explica.

Rolling Stone